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DVD no divã
Deu no Estadao:
Novo DVD elimina imagens de violência e sexo
A Thomson, dona da marca RCA, está anunciando para as próximas semanas o lançamento para o mercado norte-americano de um DVD criado pela ClearPlay, de Salt Lake City, que elimina diálogos considerados indecentes e cenas de violência e sexo contidas num filme. Quando qualquer coisa do gênero surgir na tela, o sistema deixa a televisão sem som ou muda para a cena seguinte.
DVD problemático, esse.
" - Meu colega de fábrica que teve sorte, doutor. Fiquei sabendo que ele é o único da espécie que passa tudo, tudinho, sem indigestão. Não tenho certeza sobre quais filmes o dono compra, mas ouvi falar que podem ser discursos daquele presidente americano.
- Pare de focar nos outros, 878787-99. Quero saber de você.
- Estou mal, hoje. Não sei se quero falar.
- O que você tem passado?
- Ah, meus donos. Não sei porquê me compraram. Apesar de eu engolir cenas feito um louco, os filhos pequenos acabam assistindo fora de casa as piores porcarias.
- Eu quero saber de você. O que você tem passado?
- De tudo - suspiros. De tudo.
- Mas me conte o que ....
- Está bem.
Vômito.
- Calma, engula esse lenço. Agora, fale, mas fale devagar.
- Ontem, por exemplo. Aquele vídeo sobre golfinhos. Que coisa mais meiga e azul. Comecei bem, pedacinho por pedacinho, reproduzindo o mar, os bichos sorrindo e suas acrobacias, som new age. Aí, na cena número 08, estremeci com um heavy metal. A imagem era de golfinhos nadando velozmente, em comboio. E então, na próxima cena, a minha indigestão: vi um tubarão chegando, pressenti sangue e morte e... pronto! Engoli, pulei para a próxima cena. Mas em seguida também tive de agir rápido, porque ouvi os primeiros acordes de uma canção suingada de Marvin Gaye, avistei uma golfinha nadando lânguida em direção a um machinho, zip, mudei, mudei. Só não foi pior do que daquela vez em que visitantes colocaram um filme terrível, O Último Tango em Paris, quando meus donos não estavam em casa. Engoli tudo tão rápido que pensei que fosse explodir. E depois ainda ganhei tapas no cabeçote.
- Bem...
- Ah, doutora, eu não suporto mais, não descanso nem em filme da Disney, quanto mais na última safra dos religiosos.
- 878787-99, você foi muito reprimido. Assista o que há dentro de você, libere o que vem guardando há tanto tempo. Confie em mim.
Depois de mais alguma conversa terapêutica com a TV, DVD 878787-99 fugiu da sala. Está trampando num quarto de motel, perto dali."
Escrito por Rachel Rubin às 19h22
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Ladrões de olhar

Deu na Reuters:
Jóia aplicada no globo ocular é a nova moda na Holanda
Body piercing e tattoos são coisas do passado. A moda agora são os "eyeball jewellery" -- jóias aplicadas no globo ocular. Cirurgiões oftalmologistas da Holanda implantaram minúsculas jóias chamadas "JewelEye" (jóia-olho) na membrana da mucosa dos olhos de seis mulheres e um homem. "Para mim, isto é um pouco mais sutil que body piercing. É uma coisa divertida e muito pessoal", disse Gerrit Melles, diretor do Instituto Holandês para Cirurgias Oculares Inovadoras.
Ano 2009, tarde de domingo num certo canal da TV a cabo.
"Eu tenho aqui uma preciosidade para o telespectador. Viana, focaliza. Vejam, é uma magnífica jóia-olho, ouro 18 quilates, em formato estrela-do-mar ou tartaruga-marinha. É a nova linha beach. Coisa de sonho. Atraia elogios e as boas energias de Iemanjá. São poucas unidades, ligue já. O quê? Olha só, eu sabia, é um fenômeno! Sucesso de vendas, pessoas de todo o Brasil estão ligando. Será que vai ultrapassar a linha feelings, de corações e bocas em ouro também 18 quilates? Tô achando que sim! Tá muito bonito. Ah, focaliza de novo, Viana. Cada vez que eu vejo esse olhar formoso, preenchido por uma peça tão requintada, me emociono. Dê essa linda jóia: ela vai ficar diferente e te ver diferente, ou seu dinheiro de volta. Mergulhem juntinhos na emoção. Splash, splash, uma sereia em sua vida. Ligue já!"
Escrito por Rachel Rubin às 16h25
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EUA, nação conciliadora
Deu no Estadao.com:
Radicais xiitas recebem apoio de sunitas contra os EUA
Há sinais de simpatia pela revolta dos xiitas radicais, liderados pelo clérigo “fora-da-lei” Muqtada al-Sadr, em meio às milícias sunitas que enfrentam a ocupação americana desde a queda do regime de Saddam Hussein. Durante a ditadura de Saddam, a minoria sunita do Iraque era privilegiada e a maioria xiita, oprimida. Até o início da revolta de al-Sadr, a resistência à ocupação era quase que exclusivamente sunita. Agora, retartos de al-Sadr e inscrições em paredes saudando seu “levante valente” aparecem na cidade sunita de Ramadi. Em Bagdá, na noite de segunda-feira, combatentes leais a al-Sadr foram a um bairro sunita e ajudaram os rebeldes a abrir fogo contra veículos americanos - o único caso de cooperação, até agora, entre as duas forças rebeldes.
Enquanto isso, naquela mesquita:
"We are the world, we are xiita
We are the world
E nessa dura lida
também sunitas
Anita canta e me irrita. Anita, essa americana perdida que nos visita.
Mulher resumida e sem vida. Morra, bandida."
Escrito por Rachel Rubin às 11h52
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Bússola obsoleta
Deu na Folha Online:
Pólo magnético da Terra inverte a cada 7 mil anos
Quem utiliza a bússola como instrumento de navegação não deve se surpreender caso, algum dia, acabe chegando ao lugar oposto de seu destino. Uma pesquisa da NSF (Fundação Nacional de Ciência, na sigla em inglês), nos Estados Unidos, conseguiu determinar que o pólo magnético da Terra muda completamente de sentido, em média, a cada 7.000 anos.
Suzana não vai precisar esperar tantos anos.
"Sem norte; só sul, sol e suor. Eis o pesadelo de Suzana, moça que nunca desejou saber o que é sair sem salto e sem sombra. Sábia, sempre seguia conselhos e se esvaía daqueles rapazes mais suspeitos. Mas semana passada conheceu Celso, um soldado sério. Seduzida por seus olhos cinzas, em segundos aceitou súplicas para saírem. Já às seis de sábado, sapateavam no salão; às sete, segredavam ósculos e amplexos; às dez, hora selvagem, ele suspirava - e ela, sofria numa sequência de saliva e sangue. Até desmaiar, sem saia, insana. Tornou-se suspeita. Expulsaram-na do paraíso. Suzana está sozinha, sem salto e sem sombra. E sem norte; só sul, sol e suor."
Escrito por Rachel Rubin às 18h18
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País das bananas
Deu na BBC:
Quase metade das crianças brasileiras tem anemia, diz Unicef
Rodrigo Coelho, da BBC
Cerca de 45% das crianças brasileiras apresentam anemia causada por deficiência de ferro, segundo relatório divulgado pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância) nesta quarta-feira.
Banana tem ferro e aqui é o País das bananas....certo? Então!
Dona Maria da Silva, figura popular no morro da Rocinha, só se importa com seus netos grandalhões. Todos os dias, cuida para que nada falte em seu barraco de sonhos, fonte de força e sabedoria. Dona Maria tem um grande segredo para deixar seus meninos valentes e corados.
Num domingo de brisas extrovertidas, os netos, ainda pequenos, lhe pediram manhosa e irresistivelmente por brigadeiros de panela. Mas Dona Maria não tinha leite condensado. Poderia sair para comprá-lo, mas ia chover forte. E também precisava economizar um pouquinho. Mas como olhar para aquelas panelas vazias, como privar seus queridos de um mimo tão básico?
Os moleques, cruéis, insistiam pelos doces. “necessito de preparar algo mais simples com as poucas coisas que tenho", pensou. Então, lembrou-se de umas bananas que comprara no dia anterior e botou-as para bronzear no forno, junto com açúcar espremido e pitadas de limão.
O resultado não poderia ter sido melhor: as bananas, mais festivas e coloridas que os sisudos brigadeiros, agradaram aos mocinhos. Pronto: estava feita a sobremesa famosa, saborosa e fortificante, elaborada diariamente desde então e que será lembrada por gerações - banana à Dona Maria.
Escrito por Rachel Rubin às 19h06
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Bomba é bom
Deu no New York Times:
O jornal "The New York Times" afirma nesta sexta-feira que os Estados Unidos estão "pensando no impensável" e se preparando para um possível ataque nuclear. O diário diz que o governo americano está desenvolvendo a tecnologia para identificar o país ou mesmo o grupo responsável pela bomba no caso de um ataque.
Bomba é bom, bomba é boa
É bom que o país ou o grupo escolhido tenha bom coração. Só assim terá uma boa base para criar uma bomba íntegra.
Uma bomba de família – filha dedicada, irmã invejada, esposa obediente e mãe paciente.
Que tenha asas para brincar com águias nos momentos de folga e para atingir muitos alvos durante o expediente
E que se mostre bela e loira (com 90cm de busto, 60 cm de cintura e 90cm de quadril) para seduzir e, depois, explodir, extasiada de tanta salvação.
Escrito por Rachel Rubin às 17h18
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Uvas tailandesas
Deu no Último Segundo:
Três de cada quatro maridos tailandeses são infiéis (pesquisa)
Quase três quartas partes dos maridos tailandeses são infiéis, segundo uma pesquisa publcada esse sábado pelo jornal inglês Bangkok Post. De acordo com a pesquisa, que interrogou 1.069 homens, 75% admitiram ter mantido relações extraconjugais. Mas ao mesmo tempo, 80% deles considerariam "inaceitável" que suas esposas fizessem o mesmo.
Se cuidem, machões.
Leiam o depoimento de uma tailandesa feminista:
"Sempre foram assim: é só alguém agarrá-los que - vupt!, escorregam. Sem chance, não dá para saboreá-los por mais de um minuto. As ousadas tentam passar do limite. Mastigam. Mas se engasgam com caroços.
Temos de reconhecer: enigmáticos, eles atraem. E traem. Doces, dizem palavras cor-de-rosa com suas línguas roxinhas. Mas quantas de nós não provaram o azedume das reações verdes?
São aventureiros. Desses que nascem em qualquer cacho. Se dão sorte, viram vinho, dos melhores. Mas se acaso apodrecem logo, viram suco. Ou pior, emprestam sua cor e cheiro pra uma bala qualquer, que vai ser saboreada lentamente, até revelar sua essência. Que castigo tenebroso para eles.
Não se engane: caindo nos cachos de um desses, descarte-o. Mordisque-o, sinta as contradições de sua carne e, então, jogue a casca fora. Um atrás do outro."
Escrito por Rachel Rubin às 11h41
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Fora de foco
Deu na BBC Brasil:
Candidato comunista é ignorado nas ruas de Moscou
Em 1917, líderes da Revolução Russa, como Vladimir Lênin e Leon Trotsky, eram capazes de arrastar multidões às ruas de Moscou com suas inflamadas defesas do comunismo. Em 2004, o candidato comunista à Presidência da Rússia, Nikolai Kharitonov, pode tranquilamente dar uma entrevista em uma avenida movimentada de Moscou sem receber um cumprimento, aceno ou sequer um olhar mais prolongado de um possível simpatizante.
O problema de Kharitonov pode ser apenas uma questão de falta de foco. Como o de Nicolas Silva, moço paulista.
(confesso que "peguei" a idéia de Woody Allen no filme "Desconstruindo Harry". Quem assistiu e se lembra, vai sacar. Quem não viu, melhor para mim)
“Pari esse menino na estrada para Santos, quando ia para a casa da minha tia. Nem era hora, tava de sete meses só. Tinha saído de São Paulo de madrugada. Jorge, o pai, dirigia o carro quando, de repente, passamos por um trecho perigoso, cheio de neblina. Aquele negócio de não ver o asfalto nem o que estava à frente foi me dando um nervoso que, quando vi, já estava tendo contrações, uma logo depois da outra. Jorge encostou o carro onde achou mais seguro, inclinou meu banco e saiu para pedir socorro. Voltou uns quinze minutos depois, com uma mulher que se dizia parideira por intuição.
- Sou fotógrafa, mas já assisti vários partos e acho que posso ajudar.
Nicolas nasceu em menos de meia hora, não deu trabalho. Só foi difícil achar o cordão umbilical para cortar, ainda estava tudo muito embaçado por causa da neblina. Enrolamos o bebê na toalha e agradecemos a moça. Apesar da curiosidade em conhecer a carinha dele, dei umas cochiladas durante o trajeto. Só tinha percebido que era bem cabeludo.
Quando chegamos à casa de titia, Jorge me acordou. Já tinha sol.
- Vamos, vou dar banho nele enquanto você descansa no quarto, disse, meio pálido e logo tirando Nicolas do meu colo.
Só na hora do almoço que fui conhecer o meu desafio, e, politicamente incorretamente dizendo, meu desgosto para os anos seguintes: Nicolas era embaçado. Não dava para enxergá-lo direito, parecia que a neblina continuava lá, em cima de seu corpinho.
Continuou assim na infância, na adolescência. Passava tão desapercebido que chamava a atenção. Tivemos muitos problemas, colecionamos situações engraçadinhas que fariam a alegria de qualquer filme juvenil, daqueles que passam na sessão da tarde da TV. Por anos procurei médicos, psicólogos e pais de santo, mas nenhum deles soube me dizer o que o meu filho tinha – ou era.
Até que um dia, Jorge teve uma idéia: procurar a mulher que nos havia ajudado na estrada. Para encontrá-la, fizemos campanha nacional. Acabamos contando o problema do nosso filho, demos dezenas de entrevistas, fomos até no Ratinho.
Claro que funcionou.
Apesar das várias impostoras que se fizeram passar por fotógrafas parideiras, encontramos a verdadeira. Ainda bem, porque Nicolas já estava com seus treze anos, sem amigos ou namorada, e parecia ainda mais embaçado.
- Trouxe minha máquina para registrar esse momento. Estou tão emocionada. Vou curar esse menino.
A mulher, que se chamava Vanda, colocou a mão na cabeça de meu filho e começou a tateá-la.
- Encontrei o ajuste! gritou, com lágrimas nos olhos. Preciso de uma tesoura.
Desconfiei, temi, mas naquela situação qualquer coisa valia. Vanda cortou os cabelos de Nicolas um pouco acima da nuca, deixando aquela parte careca. Quase não acreditei: havia um botão, daqueles de aparelho de som, ou mesmo de máquina fotográfica, encrustado na cabeça de Nicolas, envolto por pele e suor.
Com um pouco de dificuldade, Vanda começou a girar o botão para o lado direito. Meu filho ficou tremido. Assustada, girou rapidamente para a esquerda. Nicolas foi desembaçando, desembaçando, até ficar nítido. E foi naquele momento que eu descobri: ele tinha olhos azuis!
Escrito por Rachel Rubin às 20h05
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Medo do escuro
Deu no Jornal da Malta (jornal infantil português...):
Escolas Invadidas
Muitas escolas do País estão a ser invadidas pelas lagartas dos pinheiros. Elas ,quando picam, libertam uma baba que provoca alergia e muita comichão. As escolas dizem que vão desifectalas, mas até agora nada.
Alice está traumatizada.
Sabe porquê eu estou a ter medo do escuro?
Bem:
Semana passada, num dia cheio de nuvens cinzas, já eram sete da noite e minha mãe ainda não tinha ido me buscar. A professora, mais ansiosa do que eu para ir embora, me deixou sentada do lado de fora da classe, naquele escuro de já dar muito medo, com papel e uma caixa de lápis de cor. “Desenhe uma plantação de girassóis bem bonita”, ordenou, enquanto ficou a passar um batom roxo nos lábios finos.
Sem muitas escolhas, preferi começar pela grama. Peguei, com a mãozinha direita, um lápis verde. Mas como estava muito escuro, não dava para ter muita certeza de que aquele verde era verde grama, ou um verde meio musgo, muscoso...Eca! Foi aí que, tateando a parede com a mão esquerda, encontrei o interruptor e acendi a luz. E pude enxergar uma lagarta pequenina, bem na ponta do lápis, a babar.
Juro: desde aquele dia em que fiquei tão sozinha, sempre ando com uma lanterninha.
Escrito por Rachel Rubin às 20h15
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A paixão por Cristo
Deu no Último Segundo:
Bispos e rabinos brasileiros protestam por “A paixão de Cristo”
Bispos e rabinos brasileiros que assistiram a uma sessão privada do filme "A paixão de Cristo", de Mel Gibson, disseram ter sentido "repulsão" e "horror" diante da "crueldade" do filme.
Enquanto isso, lá em Aparecida (SP),
Um dia quente, daqueles com calor de terra marrom e terra debaixo do azul. Milhares de solas de sapatos sapateando milhares de degraus e um altar envergonhado pela timidez culpada dos que rezam. Um rodízio de fé, de festejo de santos. Todos estão sãos de Cristo, desmentidos e castos. Lá em cima as castas celestiais celebram perdões milagrosos e pecados mirabolantes. Entardece, o sofrimento passa e eles voltam as suas casas.
Escrito por Rachel Rubin às 19h40
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Nô e aquele marzão azul e verde
Deu na Agência Folha:
Fuga deixa cadeia de Fernando de Noronha vazia
Os únicos presos em regime fechado da cadeia de Fernando de Noronha (PE) fugiram na madrugada de sábado para domingo. Segundo a Polícia Militar, Jataitan Alex Severino da Silva é acusado de tentativa de homicídio; Fabrício Fernandes de Lima, de furto. O outro preso da cadeia, que está em regime semi-aberto (só é obrigado a dormir no local), passa a ser o único detento do arquipélago.
O outro preso é Nô, o notório de Noronha. Aquele do romance Riacho Doce, de José Lins do Rego, que a todas seduz mas tem corpo fechado.
Na pequena aldeia de pescadores em Riacho Doce, que na Globo fica em Fernando de Noronha, a líder Vó Manuela, Fernanda Montenegro, diva, mulher mística e poderosa, exercia grande domínio sobre o neto, Nô, o Ricelli, impedindo-o de amar qualquer mulher, inclusive Bruna Lombardi. Mas isso mudou com a chegada do casal Eduarda/Vera Fisher e Carlos/Herson Capri: Eduarda poderosa Fisher resolveu desafiar esse poder e revelar seu amor por Nô. Do momento que se viram pela primeira vez em diante, todas as noites ela tocava piano e ele, violão, revelando à cidade suas intenções amorosas, espirituais e muito sexuais. Não demorou para que aquela suave sinfonia noturna virasse um show de rock entre lençóis. Oh, mas a vó Manuela, as mulheres emprenhadas e desprezadas por Nô e o marido traído não deixaram barato, tentando atrapalhar o romance e garantindo o clímax deste roteiro tão brasileiro. No fim, Nô e Eduarda ficam juntos? Sabe que eu nem me lembro? Só sei que hoje Nô, estando ou não casado com Eduarda, andou pegando umas mergulhadoras. Uma delas, filha de um famoso dono de supermercados, acabou grávida e pariu um golfinho. Nô foi condenado por não ser desse mundo. Para cumprir as obrigações penais, não consegue mais tocar violões à noite. Tem de dormir na cadeia. Mas pelo menos de dia continua conquistando as sereias daquele marzão azul e verde.
Escrito por Rachel Rubin às 19h53
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A firma. O expediente.
Deu nos Classificados da Folha:
“Cercado, funcionário entra em colapso”, diz psicóloga
Psicóloga especializada em terapia floral, Maria Aparecida das Neves tem usado as essências de flores para tentar recuperar pacientes abalados por convivências massacrantes no trabalho, perfil que representa 70% do atendimento que presta a adultos. “Cercado, o funcionário entra em colapso", diz ela.
É, doutora,
À tarde eu trabalho
E minha mente eu retalho
Vejo uma boca abrir;
quer me engolir
Boca morde
suga relatório
cospe falatório
E me sonda
faz a ronda
Toda profissional e insistente
fecha só depois do expediente
Escrito por Rachel Rubin às 20h05
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Pancadas no final do dia
Deu na Folha Online:
Chove fraco nas regiões norte e central de São Paulo
Uma chuva de intensidade fraca atinge as regiões norte e central de São Paulo na tarde desta sexta-feira. A previsão, segundo o CGE (Centro de Gerenciamento de Emergências), é de que ocorram pancadas no final do dia.
Hoje Magnólia foi para o Tucuruvi por acaso.
Estação Vila Mariana do metrô, oito da manhã, muita gente, gente carrancuda.
- Oi. O que você faz além de ser linda?
Que arrogante. Como o cara chega assim? Ora, Magnólia é uma flor. Mas talvez somente por causa do nome fosse uma moça tão cheia de cerimônias. E, pensando bem, o cara elogia. É, é gentil. E ainda se interessa por algo além da beleza. “O que você faz...?”. Que legal.
- Não fica com vergonha, moça. Só te elogiei, não tô acostumado com flores como você no meio dessa multidão de espinhos. Qual é seu nome?
- Ana
Magnólia, agora Ana, entra no vagão do trem, que vai para o norte. O cara a acompanha, senta-se ao lado. Muita conversa depois, Ana aceita a proposta de mudar de itinerário para tirar umas fotos no estúdio dele. E confessa-se Magnólia.
- É aqui, Ana, quer dizer, Magnólia. Já tô até acostumado com as mina mentindo o nome para mim na balada, desencana.
A casa estava vazia e sem cômodos. No fim do corredor pintado de rosa, uma porta fechada. Lá deve ser o estúdio, pensa uma Magnólia pouco à vontade.
- Já tô acostumado com esse trampo, mas se você tem vergonha, pode vestir essa roupa aqui na sala que eu saio.
Magnólia já está quase vestida com o tubinho vermelho, só falta amarrar a parte de trás. O cara aparece de novo, cordas na mão.
- Te amarro. Você é só mais uma. Mais uma perua mentirosa, vai ver só.
Depois de muito o cara sai e deixa a janela aberta. Dá para ver a garoa. Lá fora, alguém comenta que no final do dia deve chover mais forte. Magnólia, amordaçada e sem pétalas, chora.
Escrito por Rachel Rubin às 19h24
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Ai, que russos bonitinhos
Deu no Terra:
Banco de gelo rompe e engole estação polar russa
A Rússia preparava hoje uma vasta operação de socorro para salvar os 12 membros de uma expedição científica, depois que a estação polar russa Severny Polious 32 afundou por causa de uma ruptura do banco de gelo sobre o qual estava instalada. A Severny Polious 32 (SP-32) foi quase totalmente engolida na manhã de quarta-feira, num acidente totalmente inédito segundo os especialistas. "Bruscamente, um enorme bloco de gelo se ergueu. Atingia três metros de altura no início, mas logo atingiu uns dez metros. Em meia-hora, engoliu 90% da estação ", declarou por telefone ao canal NTV o diretor da estação, Vladimir Kochelev.
Desabafo de uma iceberg:
Minha neve
derrete em ti
atrito do polar
entre os poros
Minha neve
derrama branco
em pele vermelha
sem vergonha
Minha neve
vai a nocaute
vira água nova
vira sua noiva
Minha neve
não gela no quente
é iceberg partido
em parte de você
Escrito por Rachel Rubin às 21h18
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Depoimento da retroescavadeira
Deu no Estadão:
Retroescavadeira cai sobre carro e mata 4 em SP
São Paulo - Quatro pessoas morreram em um acidente nesta manhã na rua Doutor Flavio Américo Maurano, 100, próximo à Fazenda Morumbi, próximo à Avenida Giovanni Gronchi, na zona Sul de São Paulo. Uma carreta que carregava uma retroescavedeira perdeu o controle ficando em forma de L. A retraescavedeira se soltou e caiu do caminhão atingindo um táxi que passava, matando os quatro ocupantes.
Terrível.
“Sou hélice malabarista
artista cortante
delirante do vento
cento e um círculos
circo do ar
me tonto
desmonto no acaso
acabo num giro
num grito fatal”
Escrito por Rachel Rubin às 19h56
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